Lista de noventa dias
Levantamos tudo que vai levar o nome: fachada, sacola, etiqueta, cardápio, uniforme, carimbo, adesivo de porta. A lista costuma dobrar de tamanho na segunda reunião.
Quem abre as portas não precisa de um logotipo: precisa de trinta peças prontas na véspera, todas falando a mesma língua.

A casa nasceu dentro de uma gráfica rápida. Recebíamos, às vésperas de cada inauguração do bairro, o mesmo pedido aflito: uma arte qualquer para o banner, porque a loja abria no sábado.
Depois de algumas dezenas dessas correrias ficou claro que o problema não era a arte. Era a ordem: ninguém tinha perguntado, dois meses antes, quantas peças levariam o nome e qual fornecedor precisava do arquivo primeiro.
Passamos a começar pela data de abrir e a andar para trás. A serralheria entra na primeira semana porque leva vinte dias; o cardápio entra na sexta porque leva dois.
O ensaio de véspera entrou por último, depois de uma abertura em que tudo estava certo separadamente e errado junto: o uniforme escuro engoliu o crachá claro, e só se viu isso com a equipe vestida.
O calendário nasce do dia de abrir, não do dia de começar.
Embalagem se desenha sobre a medida do fornecedor.
A mesma referência muda em kraft, em vinil e em tecido.
Peça aprovada sozinha pode brigar com a peça do lado.
Abertura não trava por falta de desenho: trava porque o adesivo chegou com a cor errada, a sacola não coube no produto e o instalador pediu um arquivo que ninguém tinha. Cada frente aqui existe para tirar um desses tropeços do caminho.
Levantamos tudo que vai levar o nome: fachada, sacola, etiqueta, cardápio, uniforme, carimbo, adesivo de porta. A lista costuma dobrar de tamanho na segunda reunião.
Embalagem é desenhada sobre a faca do fornecedor, não sobre um retângulo bonito. Pedimos a faca antes de abrir o arquivo.
A mesma cor muda em papel kraft, em vinil e em algodão. Fechamos a referência material por material, com prova física.
O letreiro é montado sobre a foto da fachada, na altura real, e conferido da calçada de frente antes de ir para a serralheria.
Cada fornecedor recebe uma pasta com o formato que ele pede e uma folha de instrução curta. Ninguém precisa nos ligar para abrir.
Uma semana antes, montamos tudo junto: sacola com produto dentro, uniforme vestido, vitrine aplicada. O que destoa ainda dá tempo de refazer.
Depoimentos de clientes das últimas aberturas, publicados com autorização.
O letreiro foi montado sobre a foto da minha fachada. Vi que a testeira ficava escondida pela árvore e mudamos a altura antes de mandar cortar.
A prova de cor em papel kraft me salvou. Na tela o tom era um, no saco pardo virava outro completamente diferente.
Cada fornecedor recebeu a pasta dele com uma folha explicando o que era cada arquivo. Nenhum deles me ligou pedindo outra coisa.
O ensaio de véspera mostrou que o crachá sumia no avental escuro. Refizemos em três dias, ainda a tempo.
Com a data e o endereço já dá para dizer quais fornecedores entram primeiro no calendário e quais podem esperar.